Basquete do XV já foi campeão sul-americano

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Copa do Atlântico
Argentina / 1957

 

Prof. Antonio Carlos Zinsly de Mattos

Selam / Acervo Esportivo

Set/2011

 

 

 



 

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A conquista da Copa do Atlântico, realizada em 1957, na Argentina, é um fato que poucos esportistas conhecem, salvo aqueles que viveram e acompanharam a trajetória do basquete piracicabano nas décadas de 50 e 60, quando o XV possuía uma das melhores equipes do Brasil.

Passados 54 anos dessa conquista, ficamos nos perguntando quantos seriam os esportistas que têm conhecimento desse fato. Mesmo os mais ligados ao basquete quinzista, que acompanham os jogos no Ginásio Waldemar Blatkauskas, onde pequenos grupinhos se formam discutindo acontecimentos do esporte, sabem que o primeiro time a ganhar uma competição internacional, a nível de sul-americano, foi o XV de Piracicaba.

A história dessa competição começou em janeiro de 1957, quando a Federação Paulista de Basketball – FPB - recebeu comunicado da Associação de Basquete da Argentina – ABA, entidade semelhante a nossa CBB, informando sobre a realização de um torneio comemorativo aos seus 20 anos de fundação. O comunicado da ABA também firmou convite para que uma equipe brasileira estivesse presente ao lado das seleções do Uruguai, da cidade Buenos Aires e da seleção Portenha.

A Federação Paulista, por sua vez, comunicou o convite aos seus filiados, despertando o interesse de algumas equipes que logo visualizaram oportunidade de se projetar perante a imprensa mundial e ganhar experiência internacional.

Assim, a FPB abriu inscrição para um torneio que denominou “Gualberto Moreira”, cujo vencedor seria o representante brasileiro no quadrangular da ABA. Esse torneio acabou se transformando em um campeonato do interior, pois os clubes da capital não demonstraram interesse.

Dentre as equipes participantes estiveram Tênis Clube de São José dos Campos, Votorantin de Sorocaba, São Carlos Clube, além do XV de Piracicaba que bateu todos seus adversários, ganhando o direito de representar o Brasil na Copa do Atlântico na Argentina.

A delegação do XV de Piracicaba viajou para a Argentina composta dos atletas Wlamir, Pecente, Buck, Enio, Heitor, Nascimento, Zé Carlos, Gatti, Mané Bortolotti, Cyro, Zé Obinha, Paula Mota e Amaury Passos. O técnico foi João Francisco Bráz. Chefiando a comitiva brasileira foram Antonio Kraide, diretor do XV e representantes da FPB.

O time piracicabano levou consigo um reforço de peso: o experiente Amaury Passos, ala/pivô do CR Tietê-SP e da seleção brasileira.

A Copa do Atlântico aconteceu de 18 de março a 1º de abril de 1957, no Luna Park, ginásio argentino que recebeu excelente público em todos os jogos, lotando suas dependências para ver de perto grandes estrelas do basquetebol e os melhores jogadores da América do Sul.

O XV de Piracicaba saiu vencedor nos três jogos que realizou. No primeiro compromisso enfrentou e venceu a seleção uruguaia. No segundo bateu a seleção de Buenos Aires, formada por jogadores da capital argentina. E no terceiro encontro, o jogo do título, o alvinegro piracicabano superou a seleção portenha, integrada por atletas dos clubes do interior da argentina, sagrando-se campeão da Copa do Atlântico.

Esse torneio acabou sendo encarado, tanto pelas entidades do basquete como pela imprensa brasileira, como um verdadeiro sul-americano, embora oficialmente não tenha sido, por reuniu a nata do basquete em uma competição.

O jornalista Osvaldo Bentini, da Gazeta Esportiva Ilustrada, que viajou junto com a delegação piracicabana para cobertura do evento, fez o seguinte comentário na revista: “Este feito, contudo, não pertence apenas ao XV de Piracicaba, que foi grande na sua conquista, mas também ao Brasil, pois serviu para ratificar a posição de destaque que nossa pátria ocupa no cenário esportivo mundial”.

Esse foi o único título internacional ganho pelo XV e uma das mais importantes conquistas do nosso basquete. Um título que veio com sabor especial por dois motivos. Primeiro, por ter reunido os melhores jogadores da América do Sul e duas importantes seleções, Argentina e Uruguai, nossos principais rivais nesse esporte na época. Segundo, por ter sido campeão dentro do território dos nossos “hermanos”, conquista essa que infla e muito nosso ego esportivo.

Ainda temos que considerar o seguinte: atualmente existe o Campeonato Sul-Americano Interclubes, onde equipes de países distintos medem suas forças. Porém, ganhar uma competição desse naipe, enfrentando seleções, só o XV de Piracicaba conseguiu. Daí a importância da Copa do Atlântico para o basquete piracicabano.

 

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Final entre XV e Seleção Portenha - Alvinegro piracicabano de uniforme mais escuro
Nascimento e Wlamir disputam o rebote observados por Mané (7), Pecente (13) e Zé Carlos


A campanha do XV

1º jogo –

XV de Piracicaba 61 x 48 Seleção do Uruguai

Data: 18 de março de 1957

1º tempo: 24 x 15

2º tempo: 37 x 33

Arbitragem: José Carlos de Oliveira (BRA) e Alfonso Almico (URU)

XV de Piracicaba – Wlamir 11, Amaury 16, Mané Bortolotti 8, Pecente 10, Nascimento 9, Paula Mota 5, Zé Obinha 2, Buck e Enio.

Seleção do Uruguai – Blanco 2, Hector 17, Mera 3, Garcia 8, Pelaez 4, Pedragosa 6, Leon 8, Nicoli e Roberto.

Nota – essa foi a primeira vitória de uma equipe brasileira frente ao conjunto uruguaio fora do Brasil.

 

 


2º jogo –

XV de Piracicaba 64 x 62 Seleção de Buenos Aires

Data: 29 de março de 1957

1º tempo: 33 x 26

2º tempo: 31 x 36

Arbitragem: José Carlos de Oliveira (BRA) e Alberto Mayer (ARG)

XV de Piracicaba – Zé Carlos 6, Paula Mota 3, Wlamir 12, Amaury 21, Mané Bortolotti 24, Pecente 8 e Nascimento.
Seleção de Buenos Aires – Vasino 17, Cury 23, Vasquez 1, Murilas 2, Oliveira 1, Marzorati 2, Gazzo 9, Ruggia 2, Chime 5 e Marzeranti.

 

 

 


3º jogo –

XV de Piracicaba 68 x 48 Seleção Portenha

Data: 1º de abril de 1957

1º tempo: 31 x 21

2º tempo: 37 x 27

Arbitragem: José Carlos de Oliveira (BRA) e Juan Bulla (ARG)

XV de Piracicaba – Amaury 13, Pecente 4, Mané Bortolotti 16, Wlamir 7, Zé Carlos 11, Nascimento 3, Paula Mota 4, Buck 4, Zé Obinha 3 e Heitor 3.
Seleção Portenha – Trabio 2, Soligon 7, Sanmiguel 8, Pagliari 9, Felpucci 7, Giorgio 5, Villa 6, Rubio 2, Lopes 1, Tropoli 1 e Breguero.

 


Cestinhas

Nos três jogos que disputou o XV marcou 193 pontos, média de 64,3 pontos por partida. Os principais da equipe alvinegra foram:

Amaury Passos – 50 pontos

Mané Bortolotti – 38 pontos

Wlamir Marques – 30 pontos

Pecente – 22 pontos

Zé Carlos – 17 pontos

Paula Mota – 12 pontos

Nascimento – 12 pontos

Zé Obinha – 5 pontos

Buck – 4 pontos

Heitor – 3 pontos

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Acervo Zinsly de Mattos

Escrito por Antonio Carlos Zinsly de Mattos
Dom, 09 de Outubro de 2011 16:40
 

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