O Basquete em Piracicaba

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O Basquete em Piracicaba

Em 2015 o basquete completou 60 anos de atividades oficiais no XV de Piracicaba.
Já em 2016, a modalidade comemora 110 anos de prática na cidade.

 


Prof. Antonio Carlos Zinsly de Mattos

janeiro/2016


Breve histórico

 

O basquetebol foi criado em 1891, nos Estados Unidos, pelo professor de Educação Física canadense James Naismith.

Esporte de prática dinâmica teve grande aceitação nos meios estudantis propagando-se rapidamente por todo território norte-americano conhecido como “basketball”. Traduzido para o português é “bola na cesta”.

No final do século 19, alunos do Instituto Mackenzie iniciaram a prática desse novo esporte no Brasil, porém sua implantação em definitivo só aconteceu em 1912, por iniciativa da Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro, ganhando popularidade com a denominação bola-ao-cesto. Anos mais tarde passou a ser conhecido como basquetebol ou simplesmente basquete.

Na década de 1930, São Paulo e Rio de Janeiro já eram grandes centros de bola-ao-cesto, reunindo dezenas de clubes cultuando sua prática, o que motivou a fundação da Federação Brasileira de Basquetebol, em 1933, tornando-se Confederação oito anos mais tarde.


Basquete em Piracicaba

Regatas_1935

O início da prática do basquete em Piracicaba é tão antigo quanto sua chegada ao Brasil. Em 1906, o estudante Otto Behmer, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz praticava no quintal de sua casa um esporte novo trazido dos Estados Unidos: era o basketball. Foi o início da modalidade em Piracicaba.

Colégios, clubes e pequenos grupos iniciaram a sua prática, até que em 1913 surge a primeira equipe formada para competição em nossa cidade: o Grêmio Esportivo Normalista, da Escola Normal, hoje “Sud  Mennucci”.

No ano seguinte, surgia a Associação Piracicabana de Esportes Atléticos, que começou a organizar campeonatos de bola-ao-cesto masculino e feminino.

Em 1923 o Clube de Regatas inovava com um Festival de Bola ao Cesto e em 1925, nascia a Liga Colegial, dirigida pelo Profº Anísio Ferraz Godinho, reunindo equipes que tinham os curiosos nomes de Arrepiados, Bandeirantes, Democratas, XV de Novembro e Tic-Tac.

Outro grande passo no basquete aconteceu em 12 de janeiro de 1933 quando o grupo integrado por Mister Cooper (Clyde Lloyd Cooper), diretor do antigo Colégio Piracicabano, Leandro Guerrini, Tufy Coury e Julio Diehl fundou a Liga Piracicabana de Bola ao Cesto, surgindo várias competições entre os filiados Colombo Quadro, Clube de Regatas de Piracicaba, Parque Clube, EC XV de Piracicaba, Associação Atlética Luiz de Queiroz, Associação Atlética Sucrerie, Grêmio Normalista, Clube Náutico Piracicaba, Meu Rink Cestobol Clube e Associação Atlética Ginasial (Colégio Piracicabano).

Os torneios da Liga Piracicabana de Bola ao Cesto se desenvolveram no decorrer dos anos não só entre os times da cidade, mas também com promoções amistosas com cidades da região.

Nesse período, as competições em caráter oficial eram apenas concernentes aos Jogos Abertos do Interior, iniciados em 1936 como um torneio de bola-ao-cesto.

Piracicaba ainda não tinha nenhum clube filiado à Associação Paulista de Bola ao Cesto, fundada em 1924, e que hoje é a Federação Paulista de Basketball.

 

Basquete-XV

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XV campeão paulista / 1957 - em pé: Braz (técnico) Wlamir Marques, Nascimento, Paulo Cheidde

Gatti, Buck - agachados: Pecente, Mané Bortollotti, Zé Obinha, Heitor, Zé Carlos e Cyro

 

O vice-campeonato do basquete masculino nos Jogos Abertos de 1954 motivou a formação de uma equipe mais forte visando o título em 1955 na edição marcada para Piracicaba. A cidade já estava construindo o Ginásio Municipal justamente para abrigar essa importante competição.

Foi assim que surgiu o basquete do XV. Eram atletas selecionados de clubes da cidade, a maioria jogadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

Dia 8 de março de 1955, os diretores quinzistas José Carlos Piffer e Antonio Kraide foram a São Paulo filiar o EC XV de Piracicaba junto a Federação Paulista de Basketball e inscrever os jogadores Wlamir Marques, Pecente, Mané Bortollotti, Paula Motta, João Arruda, Zé Obinha, Buck, Travaglini, Arary, João Luiz (Macarrão), Norberto Pellegrino, Paulo Cheidde, Zé Coco, Marden e o consagrado técnico João Francisco Braz. O XV surgia oficialmente.

Em 1º de maio desse mesmo ano, no Ginásio da Esalq, no jogo da estreia o XV venceu amistosamente a SE Palmeiras pelo placar de 65 a 31.

O saldo da primeira temporada, 1955, foi positivo para os piracicabanos: XV campeão do interior, campeão dos Jogos Abertos e vice-campeão paulista. Foi o início de uma trajetória vencedora, com muitos títulos no decorrer dos anos.

Duas grandes conquistas aconteceram em 1957. Como campeão do “Torneio Gualberto Moreira”, da FPB, o XV adquiriu o direito de representar o Brasil na Copa do Atlântico, em Buenos Aires, comemorativa aos 20 anos da ABA (Associação de Basquete da Argentina).

Apesar de ser um torneio amistoso, a Copa do Atlântico foi encarada como um Sul-Americano, pois reuniu os países que dominam a modalidade na América do Sul: a Argentina, dividida em seleção do interior e da capital, a seleção uruguaia e o Brasil representado pelo XV. Podemos dizer, então, que a nata do basquetebol esteve reunida numa mesma competição.

E foi na “terra de los hermanos” que o glorioso XV mostrou toda sua técnica e força ao vencer as três seleções no Ginásio Luna Park de Buenos Ayres, sagrando-se campeão sul-americano, sem dúvida a maior conquista do basquete quinzista em todos os tempos, fato esse que muito infla nosso ego esportivo.

O time esteve assim formado e dirigido pelo técnico Braz: Wlamir, Pecente, Mané Bortolotti, Buck, Zé Obinha, Paula Motta, Nascimento, Zé Carlos, Enio, Cyro, Heitor, Gatti e Amaury Passos (CR Tietê) como reforço. A delegação foi chefiada pelo diretor Antonio Kraide.

O segundo grande feito de 1957 foi o primeiro título de campeão estadual em competições organizadas pela FPB, dois anos após a oficialização do basquete em nossa cidade. O adversário na final foi AD Floresta, hoje, Clube Esperia da capital. O plantel do time campeão paulista é o mesmo que venceu a Copa do Atlântico.

Depois de mais dois vice-campeonatos ganhos em 1958 e 1959, o XV chegou novamente ao título de campeão paulista, em 1960, e de forma invicta. Venceu todos os jogos da competição que teve turno e returno.

O XV/1960 é considerado pelos cestoblistas piracicabanos como o melhor time formado até hoje. Além das quatro “feras” Wlamir, Pecente, Waldemar Blatkauskas e o técnico Braz, campeões mundiais em 1959, excelentes jogadores integraram o plantel quinzista: Tozzi, Nascimento, Filetti, China, Enio, Arthur, Alvaro, Zé Carlos, Vadilo e Zezé Petrelli. Atuaram como diretores Gelsio Diniz e Isael Perina.

Os dirigentes piracicabanos continuaram trabalhando e sonhando alto. Até que em 1958 o XV incorporou uma forte equipe feminina composta de Maria Helena, Heleninha, Delcy e outros bons valores.

Ambas as equipes possuíam excelente plantel e o XV passou a dominar o basquete paulista. Despertou rivalidade e acendeu a chama da competitividade entre clubes da capital, que passaram a formar e buscar grandes talentos para combater a supremacia piracicabana, citada pela imprensa como a “Meca do Basquetebol”, ao se referir as conquistas do time masculino e do feminino, principalmente quanto aos títulos da temporada de 1960 quando o XV fez “barba e cabelo”, fato inédito entre os clubes paulistas.

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XV / 1966 - vice-campeão paulista - em pé: Mauricio Cardoso (jornalista), Gelsio Diniz (diretor), Mindaugas, Alemão, Filetti, Emil Rached, Julinho, Crespo (técnico intertino), Jamil Neto (diretor), Nelson Arruda (a frente do Emil) - agachados: Zé Preto, Zé Boquinha, Braido, Alessio e Pecente.

 

Só que, quem pode mais chora menos. Os clubes da capital, em boa situação econômica, arregaçaram as mangas, reorganizaram o plantel, contrataram ótimos jogadores, equilibrando e dominando o ranking estadual da FPB com as equipes do Sírio, Corinthians e Palmeiras ganhando vários títulos.

Nesse toma lá da cá das contratações o XV perdeu jogadores, mas também se acertou com outros bons valores. As perdas mais sentidas foram Wlamir Marques para o Corinthians, em 1961 e Delcy para o Flamengo-RJ, em fins de 1963.

Porém, a pior, mais lamentada e irreparável perda aconteceu no fatídico 06 março de 1964, data que abalou os esportistas piracicabanos. Um acidente automobilístico na via Anhanguera tirou a vida de Waldemar Blatkauskas, aos 26 anos de idade, no auge da carreira e da performance atlética.

Em reconhecimento e gratidão a um dos mais fenomenais jogadores que já defenderam o basquete quinzista, a Câmara Municipal publicou lei denominando Ginásio Municipal de Esportes “Waldemar Blatkauskas.

Esse período também foi marcado pela franca ascensão do basquete que além de se tornar o segundo esporte dos brasileiros deu ao país dois títulos mundiais, em 1959, no Chile e 1963, no Rio de Janeiro.

É importante esclarecer que essas conquistas representam muito para o nosso basquete, pois são os dois únicos títulos mundiais ganhos pelo do Brasil até hoje, em torneios oficiais organizados pela FIBA.

Isso é um acontecimento que muito nos orgulha, pois nessas seleções estavam Wlamir, Pecente e Waldemar Blatkauskas, jogadores que se revelaram e se projetaram no cenário nacional e internacional defendendo as cores do XV de Piracicaba.

O Brasil também foi campeão sul-americano em 1958/60/61 e as mesmas “três feras” defendiam o XV e a seleção brasileira.

Outro feito importante foi nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma, quando o Brasil ganhou a medalha de bronze com a participação de Wlamir e Waldemar Blatkauskas.

Sem dúvida, foi o período de ouro do basquete piracicabano. Foram momentos gratificantes, de grandes feitos, ginásios lotados de torcedores querendo ver seus astros e estrelas brilhando pelas quadras, enaltecendo e perpetuando o famoso XIS-VE, o nome que registrou Piracicaba como a “Meca do Basquetebol Paulista”.

 

Crise – interrupção

 

As equipes masculina e feminina permaneceram no XV de Piracicaba das suas formações até fins de 1969. No ano seguinte, após a saída do Comendador Humberto D’Abronzo da presidência, começou o período de “vaca magra”, com forte crise financeira pela frente.

As dificuldades levaram a nova diretoria do clube a enxugar despesas, evitar gastos desnecessários e encontrar o jeito mais barato para montar o elenco profissional de futebol para a próxima temporada.

Como se isso não bastasse, ao término da temporada de 1969, a equipe masculina de basquete se desfez em razão do interesse de clubes da região por valores quinzistas. O técnico Pecente, o cestinha Wilson Rensi e o armador Bira foram contratados pelo Tênis Clube de Campinas e France Buelloni pelo Luso de Bauru. Essa desarticulação e a falta de interesse dos dirigentes desmotivou o elenco provocando a saída dos demais jogadores para outros centros. Era o fim do time masculino no XV.

Dessa forma, as atividades foram interrompidas e os “basquetes” passaram a buscar outra casa para sobreviver.

Sorte de um, azar de outro. O masculino não conseguindo se associar a nenhum clube, passou a realizar “peneiras” e treinos-testes com jovens de clubes e escolas da cidade, visando formação de novo time e aguardar o sonhado retorno às competições oficiais.

Com o chamado “catado” reunido e treinando, participou apenas dos Jogos Regionais de 1970/71/72, ao contrário do time feminino, que foi incorporado por outro clube logo no ano seguinte.

Em maio de 1972 o XV elegeu nova diretoria com Gustavo Jacques Alvim na presidência. Nessa gestão o Prof. Benedito Antonio Jordão, auxiliado por Gelsio Diniz e outros diretoras, assumiu o Departamento Autônomo de Basquetebol. O grupo passou a articular a reativação do basquete no XV fato que se consumou em 1973, incorporando inicialmente o masculino e em 1974 o feminino.

Dirigido tecnicamente pelo consagrado Pecente, o novo time masculino foi formado com maioria de jogadores juvenis, tendo o retorno de Wilson Rensi e Bira e os reforços Nestor Paraguay, France Bueloni e Friedrich W. Braun, o popular Fritz, ex-seleção brasileira. Outros bons valores vieram nos anos subsequentes, caso de Peters, Camargo, os norte-americanos Lawrence, Hutch, além do famoso Ubiratan, pivô da seleção que defendeu o nosso basquete na temporada de 1984.

O basquete retomava suas atividades oficiais na FPB, onde sempre competiu, mesmo jogando ora na divisão de elite, ora na divisão intermediária, mas sempre defendendo o bom nome de Piracicaba nesse esporte.

A partir dessa época, os “basquetes” tiveram diferentes trajetórias. O masculino permaneceu no XV e, mesmo lutando com dificuldade, foi campeão do interior, campeão dos Jogos Abertos, campeão da série A2 e vice-campeão brasileiro da 2ª divisão.

Em sua trajetória, o time masculino teve apenas duas temporadas fora do XV. Uma em 1980 defendendo a Unimep e a segunda em 1992, quando os irmãos Eluiz e France Bueloni fundaram o Jacapuá. A ideia não vingou e o clube acabou no final desse mesmo ano.

Depois disso, um grupo de “basqueteiros”, liderado por Renê Braga, tentou reativar o time no XV, mas em razão das dificuldades ficou apenas no juvenil sobrevivendo até por volta de 1995, quando paralisou as atividades retornando só em 2.000 com Roberto Filetti.

O feminino por sua vez, teve melhor sorte. Voltou a vestir a camisa do alvinegro no período 1974/79 até ser reestruturado em outro clube, em 1980, desfrutando bons momentos nas décadas subsequentes. Retornou ao XV só em 2009.

Outra importante mudança aconteceu em 1º de maio de 2001 quando o grupo de dirigentes formado por Hugo Fioravanti Filho, Ricardo Lourencinni Neto, Oswaldo Raimundo da Silva, Neuza Maria Camargo Caro, Roberto Filetti e Renato Colli Spotto deu ao basquete um CNPJ próprio ao fundarem a Associação de Basquete XV de Piracicaba. Foi o grito de independência.

Essa ação foi deveras favorável, pois permitiu ao grupo gerenciar não só a própria conta bancária como a verba proveniente de patrocínio e convênio assinado com a Prefeitura Municipal para manutenção da modalidade.

 

Base


O basquetebol ganhou um excelente trabalho de base, iniciado em 1975, pelo Clube de Campo de Piracicaba, na gestão do Dr. Laerte Ramos de Moura. Poucos anos mais tarde foi a vez do Centro Cultural e Recreativo Cristóvão Colombo seguir a mesma linha.

Ambos os clubes sempre levaram a sério o trabalho de formação de revelação de valores, chegando a abrir as portas também para o não sócio, visando com isso aproveitar o potencial de garotos da periferia, o que, aliás, deu ótimo resultado.

Preciosos valores foram revelados e seguiram carreira na equipe adulta, principal objetivo de todo trabalho de base, caso de Zanon, Fabio Pira, Giovanoni, Tedinho, Ivo Passini, Marcos Barros, Carlão Arruda, Pisergio, Fernando Narizinho, Marcão Valentini entre outras centenas de atletas formados.

Ambos os clubes, em razão desse trabalho, sempre disputaram os torneios de base organizados pela Federação Paulista de Basketball, onde conseguiram importantes títulos e projeções.

 

Basquete feminino – XV e outros clubes

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XV de Piracicaba - campeão paulista / 1959

 

O basquete feminino de Piracicaba teve grandes momentos desde sua formação no XV de Piracicaba, onde conquistou inúmeros títulos para a cidade. Entretanto, viveu momentos melhores ainda após a reestruturação na Associação Desportiva Unimep conseguindo feitos excelentes nas décadas de 1980/90.

O primeiro time feminino do XV foi formado em 1958 e teve liderança das estrelas da seleção brasileira Maria Helena, Heleninha e Delcy Marques, contando ainda com a força de jogadoras de boa qualidade técnica como Elide, Maria José, Eliza, Angelinha, Eris, Ana, Maria de Lourdes, Cordelia, Eny e Genesia.

Ano a ano outras atletas foram se integrando ao elenco: Zilá, Elzinha, Neusinha, Marina, Alba Rivas, Ivanilde, Ana Maria, Neusa Camargo (Neusona), Marlene Righeto entre outras. A direção técnica esteve a cargo, inicialmente de João Francisco Braz, o mesmo do masculino, e posteriormente dos jogadores Mané Bortolotti e Zé Carlos Hebling que se revezaram até a contratação de Newton Correa da Costa, o popular Campineiro.

Inúmeros títulos foram ganhos pela equipe nesse período, todos conquistados até o final dos anos 1960. E mesmo perdendo a estrela Delcy para o Flamengo-RJ, o time continuou trazendo o “caneco” prá casa. Foram cinco títulos de campeão paulista e dois vice-campeonatos, encerrando a década denominada período dourado do time feminino. Em sete finais disputadas ganhou cinco e perdeu apenas duas, ficando com ótimo percentual de aproveitamento.

Em 1970 os “basquetes” foram desvinculados do XV e o time feminino foi incorporado pelo Bela Vista Nauti Clube, presidido por Gelsio Diniz.

Esse é um fato que poucos piracicabanos sabem ou lembram que o basquete feminino também defendeu o Nauti Clube, em 1970, disputando campeonato paulista, Jogos Regionais, Jogos Abertos do Interior e Troféu Bandeirantes, badalado torneio da época. Foi campeão dos Regionais e vice nos Abertos.

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quinteto titular do Bela Vista Nauti Clube - Neusinha, Marlene, Maria Helena, Heleninha e Alba Rivas

 

Além das “Marias do XV”, Helena e Heleninha, faziam parte do elenco Marina, Ana Maria, Marcia Perecin, Regina Sanflorian, Deise Santana, Ivanilde, Neusinha, Neusona, Marlene Righeto e a paraguaia Alba Rivas.

Logo no ano seguinte, após o término da gestão de Diniz no Nauti, o time mudou para o Clube Atlético Piracicabano, onde permaneceu de 1971 até fins de 1973. O elenco mantido pelo CAP foi o mesmo que esteve no Nauti Clube mais alguns reforços.

Em 1972, o CAP trouxe a pivô Simone como reforço. Na época ela era simplesmente Simone, atleta da  seleção brasileira e muito conhecida nos meios esportivos. Hoje, porém, podemos dizer com orgulho que falamos de Simone Bittencourt de Oliveira, isso mesmo, a famosa Simone cantora, um dos expoentes da nossa música popular brasileira, fato que pouquíssimos piracicabanos, mesmo dirigentes e esportistas sabem ou lembram ter atuado no basquete piracicabano.

Simone permaneceu pouco tempo no CAP. Jogou apenas o primeiro semestre de 1972, quando retornou a São Paulo para articular e iniciar seu ingresso na MPB.

Durante o período que esteve no CAP o time feminino não conseguiu grandes feitos, porém, foi 3º colocado no estadual da FPB/71, vice-campeão dos Jogos Abertos/71, vice-campeão do Troféu Bandeirantes/72 e tricampeão dos Jogos Regionais/71/72/73.

Seguindo os passos do masculino, o feminino retornou ao XV de Piracicaba em 1974, vestindo a camisa alvinegra até fins de 1978.

Dificuldades financeiras mais uma vez não deixaram o XV formar um bom plantel para “brigar” por títulos como o fizera dantes. E ainda necessitava de jogadoras em condições de substituir as Marias Helena e Heleninha que abandonaram as quadras quando ainda estavam no CAP, em 1973.

Em razão disso, as melhores conquistas ficaram apenas em Jogos Regionais com dois títulos de campeão.

Até que em 03 de fevereiro de 1979, o idealismo que envolve e motiva esportistas, provocou reunião de um grupo de dirigentes liderados pelo reitor da Unimep Elias Boaventura: estiveram presentes José Carlos Hebling, Pedro Vicente Fonseca (Pecente), Enoch Martins, Helio Sacconi, Dr. Rui, além de Gelsio Diniz, diretor do DA Basquete-XV. Nascia a Associação Desportiva Unimep. Surgia uma luz no final do túnel indicando novo caminho para o basquete feminino.

A nova cúpula diretiva do feminino trabalhou com cuidado, evitando dar passo maior que a perna e manteve o mesmo plantel de 1978 para a nova temporada que se iniciava.

Porém, uma poderosa equipe começou a ser montada em 1980. O primeiro acerto foi com Paula que, a pedido da diretoria, transferiu-se com toda a família para a cidade. Uma forma garantir a permanência da armadora que já despontava como grande promessa do basquete brasileiro no cenário mundial.

Junto com Magic Paula chegou Vânia Teixeira e as irmãs Carminha e Ione para jogarem ao lado de Anne, Nadia e Regiane, pratas da casa. No ano seguinte, Maria Angélica, a popular Branca, 15 anos de idade e excelente condição técnica, passou a integrar o time principal.

No decorrer dos anos centenas de jogadoras passaram pela Unimep e as principais foram Vânia Hernandes, Neusa Ribeiro, as norte-americanas Beverly Crusoe, Catty Boswell, Jacqueline Del Nero, a peruana Katia Manzur, a russa Ellena Charikova, a argentina Karina Rodriguez, Ruth Souza, Janeth Arcain, Adriana Santos, Alessandra Oliveira, Marta Sobral, Roseli Gustavo, Ligia Moraes (falecida em 19/fev/2015) e muitas outras.

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Unimep campeã brasileira / 1985 - em pé: Marco Antonio (fisio), Adalberto Maluf (diretor), Maria Helena (técnica),

Ana Fofão, Ruth, Marcia, Anne, Neusa, Heleninha (assistente), Wagner Bergamo (prep. fisico), Luiz Remunhão (diretor)

agachadas: Itamarlene, Nadia, Magic Paula, Mônica, Vania Hernandes, Branca e Vania Teixeira com a mascote Carol

 

Para dirigir tecnicamente o time com tantas estrelas ninguém melhor que outras duas estrelas consagradas pelo esportista piracicabano: as “Marias do XV”, Helena e Heleninha, agora tratadas pelas jogadoras, carinhosamente, por “Dona” e “Doninha”.

Assim, ano a ano, a Unimep se reforçava e ficava cada vez melhor. Venceu todos os compromissos e não conheceu nenhuma derrota nas duas primeiras temporadas.

No decorrer das décadas que seguiram conquistou vários títulos: foi pentacampeã paulista, pentacampeã brasileira, tetracampeã sul-americana e ainda venceu duas vezes o Crystal Palace de Londres, um torneio mundial organizado pela Inglaterra, não reconhecido oficialmente.

O piracicabano que sempre gostou de basquete, agora ganhava mais um alento para não deixar de comparecer ao ginásio.
Um time em franco crescimento passava a medir forças com as melhores equipes do país, inflamando o ânimo dos espectadores, especialmente nos confrontos entre Magic Paula, a melhor armadora do mundo, e a fantástica “Magrela”, uma máquina de converter pontos de nome Hortência.

Foram encontros que perduraram por muitos anos e, sempre transmitidos pela imprensa televisada, marcaram os bons tempos de Luciano do Valle na TV Bandeirantes.

Esses confrontos também são lembrados, em especial, pelos moradores do Bairro Alto que, nas noites de jogo ouviam o “bum-bum-bum” das torcidas organizadas, pulando e chacoalhando as arquibancadas do ginásio, tremulando bandeiras e banners, gritando e cantando “Unimep-Unimep” a cada cesta do time. Vibrando e comemorando as jogadas espetaculares da incrível Paula, a armadora dos passes precisos e das bolas “enfiadas” com maestria, em rápidos contra-ataques, cheios de fintas desconcertantes que encantaram plateias, crônica esportiva, técnicos e os próprios atletas, fossem companheiros ou adversários.

Esses acontecimentos cercaram o time feminino nas décadas de 1980/90 e está perpetuado na memória do piracicabano, um torcedor fanático por basquete, de sorriso vibrante a cada vitória e também solidário a equipe quando vinha o choro da derrota.

A trajetória desse time foi além do sonho. Só que o sonho terminou em 1997, quando o patrocinador BCN transferiu a equipe e as melhores jogadoras para Osasco.

Em suma, os nossos “basquetes” sempre viveram fases gloriosas em suas trajetórias. Desde a implantação, em meados dos anos 1950 até os dias atuais, tivemos períodos de ouro interligados pelos elos das “Marias” e dos “Pecentes”, que outrora aprenderam a fazer e anos mais tarde vieram a ensinar como se faz.

Que os “basquetes” continuem sendo gloriosos como sempre foram, tanto nas vitórias como nas derrotas, movidos pela mesma garra, determinação e unidos em uma só consciência: “Antes as lágrimas por não ter vencido que a vergonha de não ter lutado”.

 

 

Relação de atletas, comissão técnica e diretoria - clique aqui

 

Títulos conquistados – time masculino

- campeão estadual – série A1/FPB – 1957, 1960
- vice-campeão estadual – série A1/FPB – 1955, 1958, 1959, 1966
- campeão do Interior – série A1/FPB – 1955, 1957, 1958, 1959, 1960, 1974
- campeão estadual – série A2/FPB – 1978, 1987, 2006, 2015
- vice-campeão brasileiro da 2ª Divisão - 2012
- campeão sul-americano (Copa do Atlântico) – 1957
- campeão dos Jogos Abertos do Interior – 1942-55-57-58-59-60-61-62-63-66-76-2008-11-12-13

 

Títulos conquistados – time feminino

- campeão estadual – 1959, 1960, 1962, 1964, 1966, 1981, 1984, 1985, 1986, 1994
- vice-campeão estadual – 1963, 1965, 1967, 1982, 1983, 1987, 1989, 1990, 1991, 1995
- campeão brasileiro – 1985, 1986, 1988, 1990, 1996
- campeão sul-americano – 1986, 1987, 1989, 1991
- vice-campeão mundial – 1991, 1994
- campeão do Torneio Internacional do Peru – 1981
- campeão do Torneio Crystal Palace da Inglaterra – 1986, 1990
- campeão dos Jogos Abertos do Interior – 1959-60-62-63-64-65-66-67-68-82-86-90-94-2006-08-10-13
- campeão do Troféu Imprensa – 1979, 1985, 1990, 1994

 

Escrito por Antonio Carlos Zinsly de Mattos
Dom, 03 de Janeiro de 2016 14:45
 

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